sábado, 19 de fevereiro de 2011

Não sou maldosa...

   Mais uma vez a morte é julgada como ruim, sombria. 
   Saiba que ela também tem um coração, tu achas que é único capaz de sentir?
   Como se ela não tivesse coração, como se ele não fosse partido em mil pedaços toda vez que ela se via obrigada a levar uma alma consigo.
   Sou mais um espírito errante que vaga pela terra e atormenta a sua vida inútil, a morte não quis me levar, pois nem o céu nem o inferno é o meu lugar, não acertei nem errei, não machuquei e nem curei, sem duvida fui a decisão mais difícil da minha amiga morte, ela não sabia se me levava com ela ou me deixava no temido coma, entre a vida e a obscura duvida do que me aguardava.
   Ela estava pronta pra mais um serviço, pegar a alma pesada de bondade de uma senhora que aparentava ter uns 70 anos. Era assim que eu a observava, a morte levantava a sua mão e a passava gentilmente no rosto cheio de rugas chamando assim a alma daquela senhora para a luz e leveza que a aguardava.
   Algo de estranho aconteceu assim que a alma desapareceu ao encontro da duvida, o céu. A morte se desfez em cinzas, um vento gélido que até eu pude sentir tomou aquela sala, e de repente senti um coração bater em meu peito, até alguns segunda havia pensado que ele não existia mais, e a quebra da barreira da duvida... agora sei o que é o céu, o inferno. 
   Suei frio, nunca senti tanto medo, parecia estar viva de novo, mas não, uma seqüencia de mortes passavam como filme em minha cabeça.
   A morte na qual me prendeu ao mundo estava com o barril cheio de almas, e o meu estava vazio, assim logo me toquei. A difícil lição de morrer de novo todas as vezes que tirar uma alma de um corpo foi passada a mim.
   Diga me, achas que esta pronto para me seguir e ser o próximo barril?

Um comentário:

  1. nossa que profundo muda totalmente o coneito de morte pra quem aha a morte ruim. Ele só faz o trabalho dela...

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